08/08/2012 | por cleber | 0 Comentários

Categorias: Últimas Notícias

Alternativas às sacolas plásticas ficam mais comuns a cada dia

O casal Débora Dorneles, 31 anos, especialista em café, e Renato Lélis, 32, oceanógrafo, já chega a um supermercado do Lago Sul, em Brasília, com uma sacola retornável nas mãos, feita de banner reciclado com estampa de framboesas vermelhas e uma mochila vazia, prontas para carregar as compras. Garantem que em casa separam o lixo seco do úmido. “O lixo orgânico vira compostagem, aproveitamos como adubo no jardim”, diz Lélis. “As embalagens de vidro, alumínio e plástico eu lavo e jogo nos recipientes da coleta seletiva”. Ele aproveita a deixa para notar: “É contraditório que os supermercados vendam sacolas retornáveis e, ao mesmo tempo, as carnes sejam acondicionadas em bandejas de isopor, embaladas em várias películas plásticas”.

O aposentado do Ministério da Fazenda Marco Aurélio Araújo aprendeu a não usar as sacolinhas plásticas para carregar as compras quando morou em Paris. “Lá, isso é usual”, explica. Ele sai do supermercado com tudo organizado dentro de caixas de papelão, muito mais prático inclusive para carregar no carro, diz. “Em casa, eu uso sacos de lixo biodegradáveis da forma mais econômica possível”, diz.

AÇÃO COLETIVA

A terapeuta familiar Marisa Pellegrini, 54 anos, usa sacola retornável desde 2010. Costuma ir ao supermercado com três bolsas feitas de lona reciclada. “Quero ajudar a despoluir o planeta”, afirma, convicta da importância da sua ação. Sobre este ponto, a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Samyra Crespo, ressalta a importância da ação de cada um no dia-a-dia. “A sustentabilidade é aqui e agora, por meio da ação individual”, destaca. “A responsabilidade deve ser compartilhada, cada um deve fazer a sua parte”.

O MMA atua há quatro anos para mostrar a importância do consumo consciente de embalagens. A primeira campanha, em 2008, tinha como lema “Consumo consciente de embalagens. A escolha é sua. O planeta é nosso”. A segunda, “Saco é um Saco”, em 2009, deu ênfase ao uso racional das sacolas plásticas. Ainda não existe uma legislação nacional sobre o uso da sacolas plásticas, mas alguns estados já se posicionaram sobre o assunto – o que acabou gerando polêmica entre associações de supermercados e a população.

“As sacolinhas são práticas, mas não são gratuitas, como muita gente pensa. Além de terem seu custo diluído nos preços dos produtos, têm alto custo socioambiental – poluição do meio urbano e natural, entopem bueiros agravando enchentes e causam a morte de animais”, explica a secretária.

QUINZE BILHÕES

No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), apenas em 2010, foram distribuídas 14,9 bilhões de sacolas plásticas pelos supermercados. Em um ano, estima-se que 1 trilhão de sacolas plásticas sejam produzidas e consumidas no mundo. “O impacto de seu consumo excessivo suplantou o benefício trazido por sua introdução em nosso cotidiano”, ressalta Samyra Crespo, comparando as sacolas com o gás clorofluorcarbono (CFC), utilizado para refrigeração e causador do buraco na camada de ozônio. “As alternativas, muitas vezes, vêm de velhos hábitos simples mas muito inteligentes, como o uso do carrinho de feira e as sacolas de pano”, sugere a secretária do MMA.

Em março de 2011, a ABRAS assinou um acordo com o MMA, cuja meta é reduzir em 40% a distribuição de sacolas plásticas descartáveis, entre 2011 e 2015. Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), em junho, a ABRAS apresentou uma queda de 6,4% no consumo de sacolas plásticas, no 1º Relatório de Redução do Consumo de Sacolas Plásticas. Esse percentual corresponde a 953 milhões de sacolas plásticas a menos, no período de 2010 a 2011.

Nesta terça-feira (07/08), a ABRAS soltou uma nota de apoio ao governo federal. “Se o governo, por meio do Ministério do Meio Ambiente, entende que devemos continuar trabalhando para reduzir a distribuição de sacolas plásticas, assim o setor fará”. No intuito de encontrar respostas a esse desafio socioambiental, a associação participa de Grupo de Trabalho coordenado pelo MMA, junto com organizações da sociedade civil, para examinar as tecnologias disponíveis e combater a falsificação que coloca a segurança do mercado e dos consumidores em risco – há notícias de fraudes em sacolas compostáveis.

Na nota, eles destacam que vários países já adotaram medidas de redução do uso de sacolas plásticas, como Coreia do Sul, Bangladesh, Alemanha, China, Irlanda, Ruanda, Botsuana, África do Sul, e cidades de grande porte como São Francisco e Washington, nos Estados Unidos, e Toronto, no Canadá.

As sacolas podem durar até 400 anos na natureza antes de se decomporem. Elas são produzidas a partir do petróleo ou gás natural, dois tipos de recursos naturais não-renováveis. Depois de extraído, o petróleo passa pelo refino, que consome água e energia e ainda emite gases de efeito estufa e efluentes. Com o consumo desenfreado, a pressão por esses recursos naturais só aumenta.

Fonte: MMA

08/08/2012 | por cleber | 0 Comentários

Categorias: Últimas Notícias

Setor de resíduos sólidos no Brasil poder reduzir emissões de CO2

O setor de resíduos sólidos é um dos segmentos que mais pode contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e tornar-se uma das menores fontes de emissões globais. É o que aponta um estudo financiado pelo governo da Holanda e desenvolvido em parceria com a ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais e a NVRD – Associação Real Holandesa de Resíduos Sólidos sobre as emissões de CO2 emitidas pelo setor de resíduos no Brasil.

De acordo com o levantamento, se a reciclagem for intensificada e associada à implementação de tecnologias para recuperação de energia, é possível reduzir as emissões em até 57 milhões de toneladas de CO2, o que pode representar até US$ 1,71 bilhão, em 2030. “No atual cenário, em que a reciclagem é pouco representativa  e as soluções para recuperação energética do lixo ainda são incipientes, o setor de resíduos sólidos no Brasil já contribui para uma redução de 16 milhões de toneladas de CO2”, observa Carlos Silva Filho, diretor executivo da ABRELPE.

No âmbito europeu, o estudo mostra que, no período de 1999 a 2007, o setor de resíduos sólidos conseguiu reduzir de 69 para 32 milhões de toneladas as emissões de carbono, volume que representa uma contribuição de 18% da meta de redução estabelecida no protocolo de Kyoto. Na Holanda, especificamente, a reciclagem é responsável pela redução de 2 milhões de toneladas de CO2 por ano e economia de 20 PJ de energia (consumo interno bruto total em Petajoule dividido por petróleo, gás, carvão, fontes renováveis, nuclear, outras fontes de energia).

“Trata-se de uma evolução alcançada a partir da regulamentação e investimentos na gestão de resíduos, que contempla desde a prevenção, minimização da geração de lixo, reuso, reciclagem à recuperação de energia”, explica Silva Filho.

O levantamento também faz uma projeção de que, sem uma política de resíduos e a intensificação da reciclagem, mais de 90% dos resíduos gerados continuarão sendo destinados para disposição no solo. De acordo com a previsão, uma regulamentação ativa e eficaz do setor permitirá um cenário melhor, com a destinação de pouco mais de 50% dos resíduos sólidos gerados a aterros, e alcançará uma situação próxima do ideal com a implementação intensificada de ações de reciclagem, resultando na recuperação/reutilização de quase 100% dos resíduos, com destaque para a geração de energia, a partir do lixo, que representaria 30% das iniciativas, e uma destinação apenas de rejeitos para aterros sanitários.

“Na vanguarda de outros setores, o de resíduos sólidos tem desempenhado uma série de ações no sentido de reduzir os impactos negativos sobre o meio ambiente, principalmente no tocante às emissões de gases que causam o aquecimento global”, observa o diretor executivo da ABRELPE.

Fonte: Último Instante

06/08/2012 | por cleber | 0 Comentários

Categorias: Últimas Notícias

Resíduos sólidos: o exemplo que vem do Norte

O governo do Amazonas, no início de 2011, tomou uma decisão que deu resultado: propôs parceria à Associação Amazonense de Municípios e ofereceu recursos para elaboração dos planos municipais de gestão de resíduos sólidos. Dos R$ 2,8 milhões investidos, R$ 1 milhão são oriundos do Estado e os R$ 1,8 milhão restantes rateados entre todas as 61 cidades do interior. Destas, 55 já concluíram seus planos que agora precisam ser aprovados pelas respectivas Câmaras Municipais.

Além desses, a capital, Manaus, vai pelo mesmo caminho. “É um exemplo a ser seguido, quase todos os municípios do estado já possuem seus planos”, disse o gerente de Projetos da Secretaria de Recursos Hídricos (SRHU) do Ministério do Meio Ambiente (MMA) Ronaldo Hipólito. “O estado tomar a frente é uma boa prática para aperfeiçoar a implantação da política de resíduos sólidos. Nós estivemos presentes na solenidade de entrega dos planos, lá em Manaus e ficamos muito satisfeitos com o que vimos e ouvimos”.

Desde a última quinta-feira, 2 de agosto, estados e municípios que pleitearem recursos federais para investimentos em resíduos sólidos terão que apresentar seus respectivos planos de gestão. O prazo foi definido pela Lei 12.305, de agosto de 2010. “Estados e municípios que estão com os planos em andamento ou ainda não iniciaram, devem fazê-lo o quanto antes” salienta Hipólito. “É muito importante que todos tenham seus planos adequados às suas realidades regionais”. Segundo ele, o governo federal, por meio do MMA, está disposto a orientar e ajudar, em um grande esforço coletivo.

OBRIGAÇÃO DE TODOS

“A grande mensagem da lei é que essa é uma obrigação de todos nós”, acrescenta a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “A gestão do resíduos sólidos começa comigo e com você, cidadão, minimizando a geração dos resíduos com o consumo consciente, envolvendo o setor privado com a logística reversa e o setor público com os planos e as ações”.

Estados e municípios tiveram dois anos para elaborar seus projetos regionalizados. Para isso, contaram com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, que elaborou um manual de orientação para a elaboração dos planos, que está disponível no site do MMA. Além disso, tem oferecido cursos de ensino a distância para orientar gestores e consultores. O treinamento tem duração de 30 dias e oferece flexibilidade total de horário – cada participante acessa a plataforma e cursa as aulas nos horários que lhe for mais conveniente.

“A lei teve o cuidado de estabelecer o conteúdo desses planos para ter um patamar mínimo de entendimento e o Ministério do Meio Ambiente fez um processo de capacitação, um treinamento a distância que está na internet, tutorial, ensinando como elaborar o plano”, explicou a ministra. “A gente espera que os estados e municípios que já fizeram seus planos partam agora para sua implantação, buscando os investimentos necessários. Os que ainda não possuem os planos, devem ter a estratégia de desenvolver os planos para ter os seus investimentos. Vale chamar a atenção para o prazo de 2014″, reforça.

O MMA ainda ofereceu, em 2011, recursos para auxiliar municípios na elaboração de seus planos. Ao todo, 488 municípios receberam verbas federais. “Somando os municípios que acessaram recursos da União e outras iniciativas independentes que nos foram informadas, a estimativa é de que cerca de 50% da população brasileira residem em municípios que estão elaborando ou executando seus planos”, destacou Izabella Teixeira. Foram 40 convênios, 17 estaduais mais o Distrito Federal e 22 intermunicipais que totalizaram R$ 35 milhões. Os convênios seguiram recomendação da lei que incentiva soluções interfederadas, baixando custo e ganhando em escala.

O gerente de Projetos da SRHU Saburo Takahashi, explicou que as prefeituras que fazem parte de consórcios intermunicipais, podem, em conjunto, elaborar um plano intermunicipal de gestão de resíduos sólidos, que valerá para as cidades que compõem o consórcio. “Isso reduz custo e aperfeiçoa a elaboração do plano”, disse. Pela lei, até 2014, todos os lixões estarão desativados e os rejeitos de todo o país devem ser encaminhados para aterros sanitários.

A ministra ressaltou que a expectativa do governo é que a lei seja cumprida: “Todos os esforços que estão sendo feitos pelo Ministério do Meio Ambiente e governo federal é na direção de se possa cumprir a lei. A grande concepção da lei é que tem que ser um esforço de toda a sociedade brasileira. Eu acho importante que a sociedade continue no controle e na cobrança por resultados em 2014″, destacou. “O lixo tem que deixar de ser um problema para ser uma solução”.

Fonte: MMA

06/08/2012 | por cleber | 0 Comentários

Categorias: Últimas Notícias

Baixada teme caos devido a acúmulo de lixo

Terreno que serve de depósito de lixo em Caxias agora fechado por ordem da Justiça, mas ainda cheio de detritos

Os municípios de Duque de Caxias, São João de Meriti, Nilópolis e Queimados, que juntos geram 1.650 toneladas de lixo domiciliar diariamente, estão temendo os efeitos de impasses na destinação final de resíduos. Por força de decisão judicial, desde quinta-feira a Central de Tratamento de Resíduos (CTR) de Nova Iguaçu recebe apenas o lixo gerado pela própria cidade e por Mesquita. A decisão pegou de surpresa os municípios da Baixada Fluminense, que até então vinham despejando seus resíduos no aterro sanitário de Nova Iguaçu. Em meio ao imbróglio, a Secretaria estadual do Ambiente (SEA) informou na quinta-feira que vai recorrer da decisão, que impede a abertura do centro de resíduos às três cidades vizinhas. Já em Caxias, também quinta-feira, o fechamento, determinado pela Justiça, de um terreno particular, onde funcionava um depósito provisório de lixo, causou muitos transtornos.

 

— A decisão da prefeitura de Nova Iguaçu é totalmente desconexa da política estadual, que prevê os consórcios entre as cidades. Vamos recorrer e certamente conseguiremos reverter isso. É uma questão de saúde púbica. Se a moda pega, e cada município só pensar no próprio umbigo, é o fim política estadual de resíduos — destacou o subsecretário estadual do Ambiente, Luiz Firmino Pereira.

Secretário fala em calamidade

Em Caxias, o fechamento do terreno da Meskatec Transportes Logística Ltda, onde funcionava o depósito provisório de lixo, no bairro Figueira, irritou o secretário de Meio Ambiente da cidade, Samuel Maia. Segundo ele, a medida está causando um “colapso” na logística da coleta na cidade. A prefeitura disse que a Procuradoria Geral do Município acatou a decisão judicial de fechar a estação, mas que recorrerá da medida.

— Qualquer cidade que exige deslocamento de mais de 25 quilômetros para destinar seu lixo corretamente precisa de estações de transbordo, onde o lixo é acumulado e sai para o aterro em grandes carretas. Não é lixão, é depósito temporário. Essas áreas diminuem os custos e garantem a logística correta. Não podemos mandar todos os caminhões direto para Seropédica. Cada veículo coletor leva cinco horas para ir e voltar. Se a central de transferência continuar fechada, teremos uma calamidade pública por acúmulo de lixo — disse o secretário, que criticou a Comlurb pelo fechamento do aterro de Gramacho antes do fim do ano.

O subsecretário estadual de Ambiente disse que Caxias deveria ter pensado numa alternativa antes do fechamento de Gramacho:

— Caxias precisa fazer uma estação de transbordo adequada, arrumar a casa. Chegou a esse ponto porque eles sabiam que Gramacho ia fechar e não fizeram nada. Vínhamos alertando há muito tempo.

Na terça-feira, o Ministério Público estadual ajuizou uma ação civil pública contra a prefeitura de Caxias e a empresa Locanty, contratada para fazer o serviço de coleta de lixo no município. De acordo com ação da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Duque de Caxias, o serviço piorou desde maio de 2011: “O atual contrato tem vigência até o início do próximo ano, perdurando, provavelmente, esta situação caótica e absurda, e não há prova de qualquer movimentação da municipalidade em resolver a situação, seja aplicando multas pelos descumprimentos contratuais, seja pela rescisão contratual”, diz um trecho da ação, assinada pelo promotor Guilherme Macabu Semeghini.

O MP pede, entre outras medidas, que a prefeitura de Caxias seja obrigada a executar as multas previstas no contrato; a suspender a Locanty de participar de licitação pelo prazo de dois anos, e a promover licitação para contratação de nova empresa para prestação do serviço.

Nova Iguaçu defende exclusividade

Em nota enviada ao GLOBO, a prefeitura de Nova Iguaçu afirma que o objetivo da medida que garante exclusividade no aterro da cidade, operado pela Haztec, é aumentar a vida útil do depósito. O engenheiro e consultor em resíduos sólidos Walter Plácido vê uma contradição na medida:

— Para aumentar a vida útil, é preciso evitar que a fração reciclável do lixo seja enterrada. O CTR de Nova Iguaçu tem todas as condições técnicas de receber os resíduos dos municípios vizinhos. A decisão da prefeitura é contraditória, pois a cidade ganha nas receitas adicionais do aterro. Ou seja, quanto mais o aterro recebe, mais ela fatura em impostos.

Ainda de acordo com Plácido, o episódio demonstra a necessidade de os contratos de lixo obedecerem à legislação federal e serem regulados por uma agência reguladora independente. Os efeitos do decreto 8.994/11, editado pela prefeita de Nova Iguaçu, Sheila Gama, foram criticados ontem pelo secretário de Meio Ambiente de São João de Meriti, Zilto Bernardi. A cidade gera diariamente 414 toneladas de lixo:

— Estamos mandando o lixo emergencialmente para Seropédica. Os caminhões demoram 40 minutos a mais para chegar, causando um transtorno no planejamento. Esperemos que essa decisão seja derrubada.

Fonte: O Globo

02/08/2012 | por cleber | 0 Comentários

Categorias: Últimas Notícias

Apenas 36% dos municípios possuem planos de gestão de resíduos

Instituída há dois anos a Política Nacional de Resíduos Sólidos ainda está distante de produzir resultados concretos. A Lei estabeleceu alguns procedimentos e ações a serem seguidos e determinou prazos específicos para cumprimento de algumas delas. É o caso da apresentação de planos de gestão de resíduos sólidos pelos estados e municípios brasileiros, cujo prazo se encerra nesta quinta-feira, 2 de agosto.

Um levantamento elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) aponta que 36% dos municípios concluíram seus planejamentos no prazo estabelecido. Os governos que não cumprirem o prazo perderão o direito de pleitear recursos federais para a implantação de seus respectivos planos municipais de gestão de resíduos sólidos.

Nas regiões Norte e Nordeste, mais de 65% dos municípios não conseguirão apresentar os seus planos após o prazo de dois anos concedido pela Lei.

O levantamento aponta um cenário diferente na região Sul, onde 60% das cidades pretendem entregar em tempo seus planos de gestão de resíduos. Já nas regiões Centro-Oeste e Sudeste 59% e 54% dos municípios devem cumprir o prazo, respectivamente.

Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe, avalia que o tema encontra alguns entraves para evoluir, sendo que o principal deles é de que a questão ainda não é vista como prioridade nas agendas dos administradores municipais. “Os municípios ainda só se preocupam em lidar com as consequências relacionadas à gestão do lixo, e não com um planejamento que é fundamental para que as soluções adequadas e os objetivos da lei sejam plenamente atendidos. Além disso, notamos que muitos municípios não dispõem de pessoal qualificado e casos em que realmente ainda há um desconhecimento das obrigações trazidas pela Lei”, observa.

“O assunto não é novo, já que a Lei de Saneamento, de 2007, já previa um documento semelhante abrangendo a gestão dos resíduos sólidos. Ou seja, os municípios tiveram praticamente cinco anos para concluírem seus planos, prazo que é mais do que suficiente para atender tal determinação. A visão pontual e restrita que é empregada atualmente precisa ser substituída por um foco mais macro e transversal se quiserem avançar na forma como gerir os resíduos”, concluiu.

Embora o resultado do levantamento não tenha sido satisfatório, a Abrelpe espera que até o final do dia a situação melhore, pois os governos podem deixar para a última hora a entrega dos planos. Ainda assim, a Associação espera que cerca de 60% das cidades não cumpram o prazo.

Já segundo dados do governo, menos de 10% dos municípios brasileiros entregaram o Plano de Gestão de Resíduos Sólidos.

Pedido negado

No dia 20 de julho, a Confederação Nacional dos Municípios solicitou ao governo federal que altere o prazo para 31 de dezembro deste ano, com a alegação de que o prazo é “inconveniente” por causa das eleições municipais, marcadas para outubro.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA), porém, descartou a possibilidade. “Houve solicitações de diversas entidades municipais. Sentimos que há dificuldade por ser uma política nova, que exige investimento em ano eleitoral, mas o prazo não será prorrogado”, garantiu ao Estadão o gerente de projeto da secretaria de recursos hídricos e ambiente urbano, Ronaldo Hipólito, que não vê prejuízos às prefeituras. “Os convênios atuais serão mantidos e a vinculação ao projeto só vale para novas solicitações”, destacou.

Números oficiais falam em 90% dos municípios

Dados do governo federal apontam que, até o dia 1º de agosto, véspera do prazo final, menos de 10% dos municípios brasileiros entregaram o Plano de Gestão de Resíduos Sólidos. Apenas as prefeituras de 400 cidades e os governos de nove Estados e do Distrito Federal conseguiram entregar o planejamento.

Segundo o MMA, do total de planos entregues até hoje, 291 já foram aprovados e contratados. Neste total, estão incluídos os planos estaduais que foram concluídos pelos governos de Pernambuco, do Rio Grande do Norte, de Mato Grosso, Sergipe, da Bahia, de Santa Catarina, do Amazonas, de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal.

Com a aprovação e contratação dos planos, o repasse de recursos federais permanece normalizado. Outros 197 planos municipais ainda estão em análise.

Os planos de gestão de resíduos devem incluir, por exemplo, a previsão de audiências públicas com a comunidade local para discutir questões relacionadas ao lixo e a estratégia para a erradicação dos lixões e construção de aterros.

Fonte: Abrelpe/Eco D

23/07/2012 | por cleber | 0 Comentários

Categorias: Últimas Notícias

Maioria dos estados e municípios não tem Plano de Gestão de Resíduos Sólidos

A maior parte dos estados e municípios brasileiros ainda não elaborou seu Plano de Gestão de Resíduos Sólidos, apesar de o prazo para concluir o projeto – que deve indicar como será feito o manejo do lixo em cada localidade – estar próximo do fim. A partir de 2 de agosto, a cidade que não tiver o planejamento fica impedida de solicitar recursos federais para limpeza urbana. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, até o momento houve apenas 47 pedidos de verba para construção dos planos, entre solicitações de administrações municipais e estaduais.

Como não é obrigatório pedir auxílio da União para elaborar os planejamentos, pode haver projetos em curso dos quais o ministério não tenha ciência. Mas a avaliação do órgão é a de que o interesse pela criação dos planos de gestão é baixo, mesmo que se leve em conta estados e municípios atuando por conta própria. “O pessoal tinha outras demandas e foi deixando de lado. Agora o prazo está se esgotando e a maioria não elaborou [o projeto]”, diz Saburo Takahashi, gerente de projetos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.

As cidades e unidades da Federação tiveram dois anos para construir seus planos de manejo de resíduos, cuja criação está prevista na Lei n° 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. As consequências do pouco comprometimento com a exigência federal poderão ser sentidas cedo por estados e municípios. “De acordo com a legislação, até 2014 devem ser eliminados todos os lixões do Brasil. Para isso, será preciso implantar aterros sanitários, o que não se faz da noite para o dia. As cidades e estados que não tiverem plano de gestão não vão poder solicitar recursos para fazer isso”, destaca Takahashi.

O represente do ministério reconhece, porém, que a verba disponível para ajudar municípios e unidades da Federação a elaborar os planos é escassa. No ano passado, houve destinação de R$ 42 milhões para essa finalidade, dos quais R$ 36 milhões foram usados. Este ano não foi disponibilizado dinheiro, e o governo federal limitou-se a liberar os R$ 6 milhões que não haviam sido executados em 2011.

Saburo Takahashi ressalta, no entanto, que o ministério redigiu um manual de orientação para ajudar prefeitos e governadores na elaboração do plano, disponível no site do órgão (www.mma.gov.br). Além disso, a pasta firmou convênio com a e-Clay, instituição de educação a distância que pode treinar gratuitamente gestores para a criação do plano de manejo. Interessados devem entrar em contato pelo telefone (11) 5084 3079.

A pesquisadora em meio ambiente Elaine Nolasco, professora da Universidade de Brasília (UnB), considera positiva a capacitação a distância, mas acredita que para tornar a gestão de resíduos uma realidade é preciso mais divulgação desse instrumento, além da conscientização sobre a importância do manejo do lixo. “Tem que haver propaganda, um incentivo para as pessoas fazerem isso [o curso]”, opina. Elaine acredita que a dificuldade para introdução de políticas de manejo – como reciclagem e criação de aterros sanitários – atinge sobretudo os municípios pequenos, com até 20 mil habitantes. “Faltam recursos e contingente técnico nas pequenas prefeituras”, destaca.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), João Zianesi Netto, também avalia que faltou capacitação e conscientização. “Alguns [Não criaram o plano] por ignorância, outros por desconhecimento técnico. Em muitos municípios de pequeno e médio porte, a destinação dos resíduos é gerenciada por pessoas que não têm a formação adequada. Além disso, há uma preocupação de que quando você começa a melhorar a questão ambiental você aumenta os custos”, afirma.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziluldoski, reclama da falta de auxílio financeiro para que as prefeituras cumpram as determinações da Lei n°12.305. Segundo ele, são necessários R$ 70 bilhões para transformar todos os lixões em aterro sanitário, até 2014. “Isso equivale à arrecadação conjunta de todos os municípios do país. Quando acabar o prazo, os prefeitos estarão sujeitos a serem processados pelo Ministério Público por não terem cumprido a lei”, disse. De acordo com ele, a estimativa da CNM é que mais de 50% das cidades brasileiras ainda não elaboraram os planos de gestão de resíduos.

Fonte: Mariana Branco/ Agência Brasil

23/07/2012 | por cleber | 1 Comentários

Categorias: Últimas Notícias

Coleta de lixo tóxico ainda é desafio para o Brasil

O descarte de lixo passível de liberar substâncias tóxicas ainda é um problema para o país, apesar de já haver legislação regulamentando o assunto. De acordo com a Lei n°12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, os fabricantes, importadores e revendedores de produtos que podem causar contaminação devem recolhê-los. Mas dois anos após a regra estar em vigor, os cidadãos dispõem de poucos locais adequados para jogar fora pilhas e baterias; pneus; lâmpadas fluorescentes e embalagens de óleo lubrificante e de agrotóxicos.

A lei recomenda que haja acordos setoriais e termos de compromisso entre empresários e o Poder Público para implantar o sistema de devolução ao fabricante no país, prática conhecida como logística reversa. O primeiro passo nesse sentido foi dado apenas no final do ano passado. Em novembro de 2011, o Ministério do Meio Ambiente publicou edital de chamamento para propostas referentes ao descarte de embalagens de óleo. No início deste mês, o órgão lançou mais dois editais: um diz respeito a lâmpadas fluorescentes e o outro a embalagens em geral. No caso das embalagens de óleo, as sugestões continuam sendo debatidas. Quanto aos outros dois editais, segue o prazo de 120 dias para que entidades representativas, fabricantes, importadores, comerciantes e distribuidores enviem propostas à pasta.

Enquanto não há um sistema estruturado para destinação de resíduos perigosos, os consumidores continuam fazendo o descarte junto com o lixo comum ou são obrigados a recorrer a iniciativas pontuais de organizações não governamentais (ONGs) e empresas para fazer a coisa certa.

“Alguns pontos comerciais se preocupam em fazer pequenos ecopontos para receber pilhas e baterias, mas é muito diminuto”, avalia João Zianesi Netto, vice-presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP). De acordo com Netto, houve um movimento da própria indústria no sentido de fazer o recolhimento antes de haver legislação específica, pois a maior parte dos produtos é reaproveitável e tem valor agregado. Mas, na opinião dele, a informação sobre como realizar a devolução não é satisfatoriamente repassada às pessoas. “Eu não estou vendo que estejam procurando instruir o cidadão”, avalia.

A pesquisadora em meio ambiente Elaine Nolasco, professora da Universidade de Brasília (UnB), diz que as atitudes de logística reversa no Brasil são dispersas. “Está dependendo de algumas localidades. Geralmente são ONGs e cooperativas que têm esse tipo de iniciativa. Em alguns casos há participação do Poder Público, como no Projeto Cata-Treco, em Goiânia”, exemplifica ela, referindo-se a um programa da prefeitura daquela cidade em parceria com catadores de lixo.

O governo do Distrito Federal também instituiu um sistema para recolhimento de lixo com componentes perigosos. O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) disponibiliza 13 pontos para entrega de pilhas e baterias, espalhados por várias regiões administrativas do DF. A relação de endereços está disponível na página do órgão na internet.

Elaine Nolasco lembra que o risco trazido pelo descarte inadequado de pilhas, baterias e lâmpadas está relacionado aos metais pesados presentes na composição desses produtos – desde lítio até mercúrio. “Pode haver contaminação do solo e do lençol freático”, diz.

A Lei n° 12.305 estabelece, de forma genérica, que quem infringir as regras da Política Nacional de Resíduos Sólidos pode ser punido nos termos da Lei n° 9.605/1998, também conhecida como Lei de Crimes Ambientais. Assim, elas podem ser denunciadas às delegacias de meio ambiente das cidades ou ao Ministério Público.

Fonte: Mariana Branco/ Agência Brasil

20/07/2012 | por cleber | 0 Comentários

Categorias: Últimas Notícias

Como e por que separar o lixo?

A preservação do meio ambiente começa com pequenas atitudes diárias, que fazem toda a diferença. Uma das mais importantes é a reciclagem do lixo. As vantagens da separação do lixo doméstico ficam cada vez mais evidentes. Além de aliviar os lixões e aterros sanitários, chegando até eles apenas os rejeitos (restos de resíduos que não podem ser reaproveitáveis), grande parte dos resíduos sólidos gerados em casa pode ser reaproveitada. A reciclagem economiza recursos naturais e gera renda para os catadores de lixo, parte da população que depende dos resíduos sólidos descartados para sobreviver.

Segundo a última pesquisa Nacional de Saneamento Básico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são recolhidas no Brasil cerca de 180 mil toneladas diárias de resíduos sólidos. O rejeito é resultante de atividades de origem urbana, industrial, de serviços de saúde, rural, especial ou diferenciada. Esses materiais gerados nessas atividades são potencialmente matéria prima e/ou insumos para produção de novos produtos ou fonte de energia.

Mais da metade desses resíduos é jogado, sem qualquer tratamento, em lixões a céu aberto. Com isso, o prejuízo econômico passa dos R$ 8 bilhões anuais. No momento, apenas 18% das cidades brasileiras contam com o serviço de coleta seletiva. Ao separar os resíduos, estão sendo dados os primeiros passos para sua destinação adequada. Com a separação é possível: a reutilização; a reciclagem; o melhor valor agregado ao material a ser reciclado; as melhores condições de trabalho dos catadores ou classificadores dos materiais recicláveis; a compostagem; menor demanda da natureza; o aumento do tempo de vida dos aterros sanitários e menor impacto ambiental quando da disposição final dos rejeitos.

O que é reciclável?

É reciclável todo o resíduo descartado que constitui interesse de transformação de partes ou o seu todo. Esses materiais poderão retornar à cadeia produtiva para virar o mesmo produto ou produtos diferentes dos originais.

Por exemplo: Folhas e aparas de papel, jornais, revistas, caixas, papelão, PET, recipientes de limpeza, latas de cerveja e refrigerante, canos, esquadrias, arame, todos os produtos eletroeletrônicos e seus componentes, embalagens em geral e outros.

Como separar o lixo doméstico?

Não misture recicláveis com orgânicos – sobras de alimentos, cascas de frutas e legumes. Coloque plásticos, vidros, metais e papéis em sacos separados.

Lave as embalagens do tipo longa vida, latas, garrafas e frascos de vidro e plástico. Seque-os antes de depositar nos coletores.

Papéis devem estar secos. Podem ser dobrados, mas não amassados.

Embrulhe vidros quebrados e outros materiais cortantes em papel grosso (do tipo jornal) ou colocados em uma caixa para evitar acidentes. Garrafas e frascos não devem ser misturados com os vidros planos.

O que não vai para o lixo reciclável?

Papel-carbono, etiqueta adesiva, fita crepe, guardanapos, fotografias, filtro de cigarros, papéis sujos, papéis sanitários, copos de papel. Cabos de panela e tomadas. Clipes, grampos, esponjas de aço, canos. Espelhos, cristais, cerâmicas, porcelana. Pilhas e baterias de celular devem ser devolvidas aos fabricantes ou depositadas em coletores específicos.

E as embalagens mistas: feitas de plástico e metal, metal e vidro e papel e metal?

Nas compras, prefira embalagens mais simples. Mas, se não tiver opção, desmonte-a separando as partes de metal, plástico e vidro e deposite-as nos coletores apropriados. No caso de cartelas de comprimidos, é difícil desgrudar o plástico do papel metalizado, então descarte-as junto com os plásticos. Faça o mesmo com bandejas de isopor, que viram matéria-prima para blocos da construção civil.

Outras dicas:

Papéis: todos os tipos são recicláveis, inclusive caixas do tipo longa-vida e de papelão. Não recicle papel com material orgânico, como caixas de pizza cheias de gordura, pontas de cigarro, fitas adesivas, fotografias, papéis sanitários e papel-carbono.

Plásticos: 90% do lixo produzido no mundo são à base de plástico. Por isso, esse material merece uma atenção especial. Recicle sacos de supermercados, garrafas de refrigerante (pet), tampinhas e até brinquedos quebrados.

Vidros: quando limpos e secos, todos são recicláveis, exceto lâmpadas, cristais, espelhos, vidros de automóveis ou temperados, cerâmica e porcelana.

Metais: além de todos os tipos de latas de alumínio, é possível reciclar tampinhas, pregos e parafusos. Atenção: clipes, grampos, canos e esponjas de aço devem ficar de fora.

Isopor: Ao contrário do que muita gente pensa, o isopor é reciclável. No entanto, esse processo não é economicamente viável. Por isso, é importante usar o isopor de diversas formas e evitar ao máximo o seu desperdício. Quando tiver que jogar fora, coloque na lata de plásticos. Algumas empresas transformam em matéria-prima para blocos de construção civil.

CURIOSIDADES:

  • A reciclagem de uma única lata de alumínio economiza energia suficiente para manter uma TV ligada durante três horas.
  • Cerca de 100 mil pessoas no Brasil vivem exclusivamente de coletar latas de alumínio e recebem em média três salários mínimos mensais, segundo a Associação Brasileira do Alumínio.
  • Uma tonelada de papel reciclado economiza 10mil litros de água e evita o corte de 17 árvores adultas.
  • Cada 100 toneladas de plástico reciclado economizam 1 tonelada de petróleo.
  • Um quilo de vidro quebrado faz 1kg de vidro novo e pode ser infinitamente reciclado.
  • O lacre da latinha não vale mais e não deve ser vendido separadamente. As empresas reciclam a lata com ou sem o lacre. Isso porque o anel é pequeno e pode se perder durante o transporte.
  • Para produzir 1 tonelada de papel é preciso 100 mil litros de água e 5 mil KW de energia. Para produzir a mesma quantidade de papel reciclado, são usados apenas 2 mil litros de água e 50% da energia.
  • Cada 100 toneladas de plástico economizam uma tonelada de petróleo.
  • O vidro pode ser infinitamente reciclado.

Fonte: Rafaela Ribeiro/MMA

20/07/2012 | por cleber | 1 Comentários

Categorias: Últimas Notícias

Brasil é campeão na geração de lixo eletrônico por habitante

O mundo está ficando pequeno demais para tanto lixo eletrônico. São aproximadamente 50 milhões de toneladas por ano. Os Estados Unidos lideram o ranking com três milhões de toneladas, seguidos de perto pela China, com mais de dois milhões de toneladas anuais.

Hoje, o lixo eletrônico cresce três vezes mais que lixo convencional e, segundo a organização das Nações Unidas (ONU), a situação é mais preocupante nos países emergentes. Principalmente no Brasil, campeão na geração de lixo eletrônico por habitante: meio quilo por ano.

O problema é que a maior parte desses resíduos não tem ainda destinação adequada. Um risco para o meio ambiente e a saúde. “Os principais metais pesados são chumbo e são mercúrio. Esses metais geralmente fazem mal para o aparelho respiratório e também para o aspecto neurológico”, fala a coordenadora do Centro de Descarte de Reuso de Resíduos de Informática (CEDIR), Tereza Cristina Carvalho.

O maior centro público de descarte e reuso de lixo eletrônico da América Latina funciona num galpão de 450 metros quadrados, na Universidade de São Paulo (USP). Para o local são levados até 20 toneladas de resíduos por mês. A maior concentração de metal pesado está nos televisores de tubo que concentram até 6 kg de chumbo por unidade, ou nos antigos monitores de computador, que reúnem até 4 kg do mesmo metal cada um.

Toneladas de veneno se misturam com diversos tipos de plásticos, metais e componentes, material jogado fora, mas que tem alto valor de mercado. Sem contar as máquinas que, em muitos casos, ainda funcionam.

Do lado do galpão da USP, um grupo de catadores aprende a desmontar computadores do jeito certo. O curso atende a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê a inclusão dos catadores de lixo.

“São duas lições principais: a primeira é a questão da segurança, então de como não se contaminar trabalhando com lixo eletrônico e a segunda, que é mais interessante para os catadores é a questão da renda. Em média, a desmontagem e a separação de cada uma das peças valoriza em até 10 vezes, o valor da sucata de ferro”, explica o estudante de mestrado da Poli-USP, Walter Akio Goya.

“Antigamente o que era vendido por R$ 50 hoje em dia a gente chega a alcançar até R$ 1.500 mil com a venda”, fala o catador André Luis Gonçalves.

Cada tipo de material vai para uma empresa de reciclagem diferente. O centro já doou e emprestou 800 computadores reciclados para projetos sociais e a própria USP usa componentes e peças no conserto de seus computadores.

Quem também está aprendendo a transformar lixo eletrônico em dinheiro é a garotada do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A Fábrica Verde já formou 360 técnicos em informática.
Para cada três computadores doados, um é reconstruído e entregue para associações de moradores, ONGs e creches que atuam nas comunidades.

“Primeiro daqui eu vou levar para minha comunidade. Eu começo com meus parentes. Automaticamente, quando você começa a se associar a um, um espalha pro outro e assim vai crescendo. Hoje eu sou uma pessoa na Fábrica Verde, mas amanhã é um grupo todo”, avisa Geraldo Natal de Almeida.

A Fábrica Verde já doou 20 toneladas de material reciclado para reaproveitamento em vários setores e também oferece cursos de empreendedorismo.

“A gente tem exemplos de jovens que de alguma forma tinham alguma ligação com o tráfico e hoje encontram uma perspectiva diferente. Quer dizer, uma nova forma de ganhar a vida e ao mesmo tempo também saindo daqui com uma consciência social completamente diferente, enfim que na realidade nem existia”, afirma a coordenadora do projeto Fábrica Verde, Ingrid Gerolimich.

Lista de locais para descarte de lixo eletrônico em diversos estados

Fonte: Andre Trigueiro/Jornal da Globo

16/07/2012 | por cleber | 0 Comentários

Categorias: Últimas Notícias

Catadores de lixo do Rio reclamam de abandono

D. Iraci, fundadora e presidente da Cooperativa Beija-Flor

Puxando carrinhos perto do meio-fio ou carregando sacos apoiados às costas, os catadores de lixo caminham quilômetros todos os dias em busca do que possa ser reaproveitado em meio ao que a cidade do Rio joga fora. A prática ajuda a reciclar materiais que seriam despejados em lixões ou incinerados — atividades agressivas ao meio ambiente.

Além de contribuir para uma cidade mais limpa, eles tiram das sobras o sustento da família. A profissão ainda representa uma chance para transformar vidas. Por isso, a classe dos coletores de resíduos recicláveis exige apoio e deposita nas eleições municipais de outubro o que resta de esperança.

Aos 66 anos, 40 deles dedicados ao lixo, Dona Iraci fundou e se mantém oito anos como presidente da Cooperativa Beija-Flor. Por sorte, conseguiu se instalar em um velho galpão na castigada e pouco asfaltada rua da Batata, próximo ao Mercado São Sebastião, na Penha, zona norte do Rio. Mas o espaço é tudo o que ela e seus 24 catadores têm.

A falta de estrutura atrapalha e minimiza o lucro. Por mês, cada um — inclusive Iraci — tira entre R$ 300 e R$ 400, renda que poderia ser ampliada com incentivos do município.

— Precisamos do mínimo para lucrar um pouco mais e ajudar os catadores. Estamos cansados de levar esse fardo nas mãos e ser ignorados pela prefeitura. Estamos cansados de escutar um monte de coisas e nada mudar. Venha alguém nos socorrer com urgência, por favor! Alguém precisa abraçar toda a nossa classe. Aqui e nas outras cooperativas tem muita gente que não tinha para onde ir, vivia nas ruas, usava drogas, e encontrou uma salvação.

A estrutura a qual se refere dona Iraci afeta todo o processo de reciclagem. A falta de uma prensa obriga catadores a amassarem garrafas PET e latinhas de alumínio com os pés. Além disso, uma empilhadeira ajudaria a organizar todo o material acumulado no galpão e um caminhão próprio permitiria o transporte e recolhimento de ainda mais resíduos.

— O caminhão que usamos atende a todas as cooperativas e, ainda por cima, está sempre quebrado. Só vem aqui uma vez por semana, se vem. Por isso, não dá para levar ou buscar todo o material. Temos um monte de madeira aí e não conseguimos transportar. Imagina quanta árvore poderia deixar de ser derrubada, se as cooperativas conseguissem levar o tanto de madeira que recolhem. Mas não tem espaço. Falta também prensa, empilhadeira. Perdemos muito dinheiro por causa desses problemas.

Retirante nordestina aos 14 anos, mãe de três filhos, avó, bisavó, ex-catadora de marisco e atual comandante da Cooperativa Beija-Flor. A experiência de vida da dona Iraci a faz manter a esperança de que as 260 mil toneladas de lixo produzidas mensalmente na cidade sejam vistas pelo poder público como fonte de lucro para milhares de famílias, evitando assim o desperdício. Afinal, menos de 2% (600 toneladas) do material jogado fora na capital fluminense é reciclado.

Também inaugurada há oito anos, a Cooperativa Ecos da Liberdade foi fundada por ex-presidiários, no Complexo do Alemão, zona norte. Com o passar do tempo, familiares de detentos e pessoas consideradas em situação de risco, como moradores de rua e usuários de drogas, também passaram a compor o grupo, atualmente composto por 48 catadores. Dentre muitos problemas, os 60 m² da miúda sede, na avenida Itaoca, é apontada como grande obstáculo pelo diretor Edie Araújo.

— Precisávamos pelo menos de um terreno entre 800 m² e 3.000 m² para aproveitar os mais de 3.000 litros de óleo de cozinha que recolhemos ao mês para fazer detergente, sabão, entre outros produtos. Uma vez queriam nos doar um equipamento usado na reciclagem desses produtos, mas não tivemos onde colocar, pois era grande.

A tributação para a Ecos da Liberdade e todas as outras cooperativas também pesa no fim do mês. Entre gastos com luz, água e demais impostos, são desembolsados mais de R$ 1.000.

Por conta dos gastos, da falta de estrutura e da pouca verba, os salários se equivalem aos da Beija Flor. Mas a ausência de recursos não desencoraja a diretoria da cooperativa. Preso duas vezes entre 1988 e 1993, por suspeita de participação em roubo, Edie afirma aos 46 anos ter encontrado um sentido para a vida.

— Eu e todos aqui temos o sonho de transformar vidas de pessoas sem oportunidade. A gente não pode falhar, pois depositam aqui toda a esperança. Conseguimos diminuir os riscos na comunidade, evitamos que pessoas escolham o caminho errado.

Procurada pelo R7, a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) afirmou que o “projeto de ampliação da coleta seletiva, numa parceria entre prefeitura e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), vai promover ganhos ambientais decorrentes da melhoria na gestão dos resíduos urbanos na cidade”.

O programa, que pretende ampliar a inclusão e a renda dos catadores de lixo, visa aumentar o número de ruas atendidas e de caminhões destinados à coleta seletiva.

A Comlurb ressaltou ainda que o processo de ampliação da coleta seletiva, que contará com a construção de seis centrais de triagem, deve ser concluído em três anos. A primeira será em Irajá, na zona norte.

A construção do espaço já foi iniciada e deverá começar a operar em setembro próximo, quando receberá até 20 toneladas/dia de recicláveis. O segundo depósito será criado no centro da capital e os demais estão em fase de definição. Os galpões funcionarão em dois turnos, com 150 a 200 catadores em cada central.

Mais:

Após vender casa para comprar crack, ex-usuária refaz vida como catadora

Cercados por lixo, catadores reclamam das condições de trabalho; veja fotos

Fonte: R7


« Página anterior — Próxima Página »