Isabel Filardis

Metodologia

Desenvolvimento Sustentável / Saneamento Ambiental / Agenda 21 / Educação Para o Meio Ambiente

A metodologia dos programas e projetos a serem desenvolvidos por nossa entidade se baseará, em um conceito mais dinâmico e moderno de se trabalhar a questão do saneamento, que deixa de ser considerado apenas como um conjunto de medidas visando modificar por si só as condições do meio ambiente e passa a considerar o conjunto de ações socioambientais, que tem como objetivo alcançar níveis crescentes de salubridade ambiental, por meio da coleta e disposição final de resíduos, promoção da capacitação sanitária para o controle de vetores e reservatório de doenças transmissíveis, bem como demais serviços e obras especializadas com a finalidade de proteger e melhorar as condições de vida da população. Assim sendo, a metodologia proposta se baseia no conceito de saneamento ambiental.

Tal metodologia nos permite trabalhar as várias faces que incorporam o conceito de saneamento ambiental. A capacitação de um público alvo formado por moradores de baixa renda, transformando-os em agentes de saneamento ambiental, é a chave para o desenvolvimento das ações complementares dos projetos desenvolvidos por nossa organização. Esses agentes serão os executores e multiplicadores, em suas comunidades, de uma série de ações e informações preventivas sobre o controle de vetores e doenças de veiculação hídrica, e coleta seletiva de resíduos sólidos. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), quase 25% de todos os leitos hospitalares do mundo, estão ocupados por enfermos portadores de doenças veiculadas pela água, no Brasil este percentual pode chegar a 65%. O serviço de saúde pública dos Estados Unidos da América identificou cerca de 22 doenças humanas que podem estar associadas ao lixo sólido, principalmente aos dejetos humanos. Tais doenças poderiam ser prevenidas por ações físicas e medidas preventivas de conscientização.

Partindo das capacitações propostas os agentes serão incentivados a se organizarem de forma a gerar renda com o processamento e coleta seletiva do lixo, e a partir daí tornarem-se auto sustentáveis.

Mediremos os "efeitos sociais" que modificarão, por sua simples aplicação, os métodos locais de trabalho, os hábitos culturais, a capacidade de aprender e o bem-estar da comunidade, pois teremos a oportunidade de avaliar todos os procedimentos adotados e principalmente os seus impactos. Baseados na avaliação contínua em todas as metas propostas, pretendemos elencar os principais indicadores de impacto/ efeito do projeto, principalmente, aqueles ligados à questão da saúde pública, incentivando com isso a construção e aplicação da Agenda 21 em cada localidade alvo de nossos projetos, tendo na educação para o meio ambiente o nosso princípio norteador.

"Como muitos dos problemas e soluções tratados na agenda 21 tem suas raízes nas atividades locais, a participação e cooperação das autoridades locais será um fator determinante na realização de seus objetivos. As autoridades locais constróem, operam e mantêm a infra-estrutura econômica, social e ambiental, supervisionam os processos de planejamento, estabelecem as políticas e regulamentações ambientais locais e contribuem para a implementação de políticas ambientais nacionais e subnacionais. Como nível de governo mais próximo do povo, desempenham um papel essencial na educação, mobilização e resposta ao público, em favor de um desenvolvimento sustentável."

(Capítulo 28 da Agenda 21)

Ainda segundo Milton Santos, "é o lugar que oferece ao movimento do mundo a possibilidade de sua realização mais eficaz. Para se tornar espaço, o mundo depende das virtualidades do lugar. Nesse sentido, pode-se dizer que, localmente o espaço territorial age como norma". (Milton Santos- A natureza do espaço: técnica e tempo/razão e emoção).

A Educação Ambiental surge como chave a partir da década de 70, propondo bases para a ação racional diante da problemática imposta pela situação de degradação ambiental do planeta.

De acordo com o quadro atual imposto à dinâmica ambiental em vários níveis, a educação ambiental, nasce para suscitar uma nova abordagem que possa além de sensibilizar, educar cidadãos mediante as suas responsabilidades e direitos, bem como, torná-los conscientes de suas obrigações perante a manutenção da qualidade de vida em suas comunidades e no planeta. É impossível pensar em um planeta melhor sem levar em conta o processo educacional.

O desafio hoje é que governo, empresas, sociedade civil organizada e comunidade, possam juntos construir espaços com maior qualidade de vida através do desenvolvimento sustentável que respeite a dinâmica ambiental. Para tanto é fundamental promover a educação ambiental em todos os níveis de forma interdisciplinar e participativa.

À medida que a humanidade aumenta sua capacidade de intervir na natureza para satisfação de suas necessidades e desejos crescentes, surgem tensões e conflitos quanto ao uso do espaço e dos recursos. A partir de então, é imprescindível ações baseadas nas tomadas de decisão pautadas no planejamento a curto, médio e longos prazos, pois somos responsáveis pela qualidade de vida do planeta e pela qualidade de vida da presente e das futuras gerações.

Baseado na premissa do "Pensar Global, Agir Local", acreditamos poder incentivar uma ação educativa, visando difundir conceitos e idéias baseadas na Educação Para o Meio Ambiente, que visam contribuir para ações que vão de encontro a todos os objetivos propostos por nossa organização ao respeito pelo meio ambiente e uma maior harmonia entre as relações socioambientais.

"A educação hoje não é mais vista como um objetivo em si, mas sim como meio para promover mudanças de comportamento e modos de vida, disseminar conhecimentos e desenvolver habilidades, preparando a população para apoiar as mudanças visando a sustentabilidade emanadas de outros setores da sociedade."

(Conferência Internacional de Educação e Conscientização Pública para a Sustentabilidade Thessaloniki, Grécia, 1997)


"Numa sociedade em que a informação seja, de fato, socializada, alcançaríamos aquele desígnio formulado por Nora (1978,p.123), isto é, a organização de um sistema de dados concernentes à vida social, a partir do qual a estratégia do centro e os desejos da periferia possam encontrar um acordo pelo qual a sociedade e o estado não apenas se apoiem, mas reciprocamente se produzam. Somente a partir daí a construção do cidadão poderia encontrar seu fundamento, e os diversos projetos, hoje utópicos, se poderiam converter em realidade."
(Milton Santos - o espaço do cidadão, 2000, p.129)
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